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Uma Emoção Chamada Ciúme

 
Nossa Diretora Técnica, Ângela Clara, cede entrevista, cujo punho abordado é muito presente não apenas na vida dos adultos, mas sim também, na vida das crianças, quando estão descobrindo novas emoções e tendem a ser mais vulneráveis por não terem uma total formação psicológica e social. Confira as perguntas e respostas:

Ângela, na sua visão como profissional, o que é o ciúme? Ciúme é uma emoção humana,  um sentimento instintivo, natural e podemos dizer, universal. É um rompante de pensamentos, sentimentos e até mesmo ações que surgem diante de alguma sensação de ameaça, real ou imaginária, ao relacionamento. 

Geralmente ele aparece quando uma pessoa sente que a pessoa amada dá ou recebe atenção a outra pessoa, suposto rival (real ou não). Se o sujeito possuir uma auto-estima frágil poderá apresentar predisposição ao ciúme podendo, inclusive, tornar-se patológico.

Assim, o ciúme pode se apresentar de forma sadia ou patológica, sendo difícil a distinção entre um e outro. 

O ciúme normal encontra uma via de expressão aceitável. Quando não interfere na vida e relacionamento dos envolvidos.
 
O ciúme anormal é quando o amor entre duas pessoas visa o preenchimento narcísico daquele que sente ciúme, traz pensamentos irracionais, perturbadores, comportamentos inadequados, nocivos e, muitas vezes, destroem a relação. Tentam preencher o próprio vazio, portanto, amam mais a si mesmas.

É um sentimento que está relacionado com fantasias negativas, o que pode gerar um certo nível de paranoia. Para Freud, faz parte da natureza humana e se instala na infância, tendo como raiz o Complexo de Édipo.  

Podemos considerar uma doença? Sim. O ciúme pode chegar a um grau mórbido ou patológico apresentando sentimentos perturbadores, absurdos, inaceitáveis, estranhos, irracionais, desconfiança excessiva e no geral infundada, onde existe um desejo de controle total sobre o companheiro. No ciúme patológico o amor do outro é sempre questionado e o medo da perda é continuado. Já no ciúme tido como normal o medo da perda não prevalece nem o amor é insistentemente questionado.

O ciúme doentio pode se apresentar de formas distintas, por exemplo, idéias obsessivas, idéias delirantes sobre a infidelidade.

Alguns autores sugerem uma relação entre Ciúme Patológico e transtornos obsessivo-compulsivos. Ciúme excessivo pode levar a comportamentos compulsivos. É necessário um bom diagnóstico diferencial.

Para avaliar o grau da patologia é preciso entender o sintoma, se é obsessivo, prevalente ou delirante e deve ser realizado por um profissional da área.

Como pode influenciar na vida pessoal ou até mesmo profissional de uma pessoa? Ciúme é imperativo. É inconsciente, quase incontrolável. O ciumento vive ambiguidades, uma briga entre o emocional e o racional, ele sabe uma coisa e sente outra.

Influencia porque traz riscos e sofrimentos. Muitos apresentam o que se chamamos de “comportamentos de verificação” e telefonam constantemente, fazem perguntas estratégicas para checar a fidelidade, procuram bilhetes, cheiram roupas, chegam de surpresa, bisbilhotam e-mails, redes sociais, etc. Emocionalmente fragilizados, sentem ansiedade, raiva, vergonha, depressão, culpa, desejo de vingança, etc.

A vida fica tomada por sentimentos que são impeditivos de produção, não conseguem fazer atividades simples, inseguros, não conseguem trabalhar, ficam em forte pressão emocional. Daí a expressão: “fiquei cega de ciúme”.

Em geral a pessoa ciumenta apresenta sentimento de inferioridade e insegurança, inveja, angustia, é desconfiada, tem baixa auto-estima, medo de perder o amor, impulsiva, egoísta e, muitas vezes, agressiva.

Casos de ciúme doentio podem chegar ao grau de incapacitação para o trabalho,  vida conjugal, lazer e sociabilidade. É preciso ajuda de profissionais da saúde.

Ângela, e quanto ao ciúme que as pessoas tem pelo bem material? O ciúme pode ser não apenas por pessoas amadas, mas também por objetos ou mesmo animais de estimação. Pode haver apego a bens materiais como uma forma de preencher o próprio vazio (ferida narcísica) e retornar ao apego dos objetos infantis.

É um sentimento infantil  e preservado na fase adulta. Segundo autores conceituados, está relacionado com os objetos transicionais da infância.

Objetos transicionais: São objetos que a criança busca geralmente para dormir ou em momentos em que está triste (paninhos, toalha, bichinhos, travesseiro, toalha, fralda, etc) sozinha ou angustiada...estes objetos representam a mãe.

Por meio deste objeto a criança poderá não só lidar com a ausência da mãe, mas também construir a sua relação com o mundo. Cabe dizer que nos primeiros meses o bebê vive uma simbiose com a mãe, um se acha parte do outro, e, esta separação que propulsiona independência e constituição de sua identidade gera angústia. Estes objetos auxiliam na transição da criança pequena que passa do estado de união com a mãe para o estado que se relaciona com ela como alguma coisa externa. A criança descobre aos poucos que ela e sua mãe são separadas e que ela depende da mãe para a satisfação de suas necessidades, e é para se sustentar nessa experiência difícil, geradora de angustia depressiva, que a criança desenvolve este apego.


Artigo publicado no dia 20 de Junho de 2017 -  Telefone: 11-5575 6300 - Whatsapp: 11-94600 6300


 








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